Pouco aprecio nos deve ter o Apostolo Santiago. Patrono de Galiza e patrono da Hespanha, por designação do Papa Urbano VIII em 1630, não sei se ajudaria á Hespanha (o da batalha de Clavijo e sua aparição montando um cavalo branco e descabeçando mouros parece que é pura lenda), mas a este velho reino, a esta velha terra e seus habitantes não há dados reais de ajudas específicas. Eu que são incrédulo por convicção, mas que desde pequeno me contavam aquilo de que brujas haver hainas, pensava que tal vez pola proximidade de sua festividade ia fazer-nos o favor de iluminar a esses peperos e xunteiros antigalegos e tal vez apresentariam uma modificação sensata á legislação sobre a língua e sobre o ensino. Mas não. Nem miragres. O PP apresentou um texto vazio de contido, que perpetuava as eivas da legislação vigente. Pobre Santiago Apostolo, o Maior, filho do trono, como a ele e seu irmão, os Zebedeus, chamava Jesus Cristo; muito oficialismo espanhol solicitando favores, obras, melhoras na vida e no bem-estar da gente, miraculos que o Apostolo nunca faze e não tenho certeza de se é porque não pode ou mais bem porque os próprios solicitantes, os mesmos oferentes, se encarregam de fazer o contrario.

Um Ano Santo encomendou sê-me pola minha Irmandade dos Vinhos Galegos fazer a oferenda ao Apostolo. Para um ateu, que também representava a muitos crentes, não era fácil. E tratei de separar o Santiago batalhador, o mata-mouros do imaginário dominante, do Santiago popular, o apegado á gente, o dialogante discursivo, o pobre com os pobres o que ajudava ao necessitado e que a esse Santiago era ao que nos, a Irmandade, realizava esta oferenda. Foi minha surpresa que me requeresse o Dean da Catedral para censurar parte do texto da oferenda; depois de manifestar-nos os motivos, eu de um texto que considerava respeitoso e que bem podia englobar opiniões de crentes e não crentes e o Dean os párrafos que considerava inadequados, chegamos a um acordo limitado a que retirasse todo o referente ao Santiago matamouros. A Igreja não quere queixas contra um apostolo azote de infiéis.
Herdade do limoeiro, agosto de 2026.





