O poema becqueriano “Dios mio, que solos se quedan los muertos” sempre me traze á memoria aqueles companheiros que ficarem já no caminho e que em realidade, havendo sido fundamentais tanto nos seus atos como na sua lealdade ao nacionalismo galego, ficam esquecidos e desconhecidos Penso que a soledade não é dos mortos, porque já não sentem, a soledade é dos vivos idosos que sentimos um oco enorme no nosso contorno; só a desmemoria é a soledade dos mortos; mentras alguém os lembre seguiram vivendo na imaginação, no recordo. A soledade a quem realmente afeta é aos idosos, tal vez a contracorrente penso que a alternativa mais desejável á velhez é precisamente a inevitável morte.
E nesta indesejada alternativa á morte que eu vivo celebro que mentras tanto mantenho vivos no recordo a velhos companheiros que ficarem no anonimato da sua entrega, porque nem forem escritores nem artistas nem lideres; e hoje quero sacá-los da intimidade para que voltem á vida pública, já que seu compromisso nacionalista, sua atividade e logros ficam no esquecimento ou desconhecimento.
Reivindico em primeiro lugar ao meu querido Anton Bértolo Losada, “Boticas”, o boticário de Vilaboa, ainda que suas preferencias era Salvaterra, terra da sua mulher Marian, com casa rente da via do comboio, e seu vinho; querido por todos. Com amigos a ambas as beiras do Minho, disfrutava com a vida, com o vinho, com os camaradas e na defensa de Galiza. Sofreu perseguição policial e prisão pola sua luta contra o traçado da autoestrada AP-9; teimoso, conseguiu que em aquele muro, que tronçava regos de agua, a empresa ou os técnicos assumissem pequenos passos da agua que naturalmente discorria polos lameiros.. Morreu novo e sua morte mudou-me a vida, resultou menos interessante sem acordar cada manha com uma nova proposta do Boticas; home vital e generoso, imaginativo, sempre disposto a ajudar. Pena Anton que nunca mais nos veremos.
Também Carmiña Graña Penedo, a Maria Soliña, de Cangas, que sofreu perseguição, exilio e prisão; era de uma total lealdade a Galiza, boa amiga, lutadora, numa fugida cruzou os Pirineus sendo de cabelo negro a o outro lado encanecera. Esteve em toda atividade a prol da dignidade de Galiza e sua gente. Muito te quigem, Carminha.
Xosé Luis Villaverde, o Tupa, chegado de Montevideo e que se integrou nas lutas populares a prol dos direitos de Galiza, sofreu igualmente perseguição e prisão. Ajudou a Luis Soto na escrita de “A UPG e outras historias”. Afetuoso, entregado, sempre disposto.
Fica por último Luis Garcia Crego, a bondade personificada, da estirpe dos Garcia Crego, de Leiro, de tradição e atuação nacionalista. Sempre ficará no meu sentimento. Não merecia ter morto tão novo.
Os que os conhecestes botai-lhe um recordo. Os mais novos sabede que por uma Galiza melhor, estes personagens anónimos entregarem saúde, liberdade, vida familiar e tranquilidade.
Quinta do limoeiro 2.026.





