
Caminha | No passado dia 10 de Junho foi celebrado em Vila Praia de Âncora o ‘Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas’ e prestada homenagem aos Antigos Combatentes, organizada pela Comissão dos Antigos Combatentes do Concelho de Caminha.
Do programa constou o Hastear Solene da Bandeira Nacional pela mão do Antigo Combatente José Ilídio Martins, ao som do Hino Nacional acompanhado ao violino pelo músico Luís Gustavo. Seguiu-se a Homenagem aos Mortos, ao som do toque de silêncio pelo trompetista Victor Hugo Franco, com a deposição de uma coroa de flores na base do Monumento, levada por Isaltina Lajoso Camelo, viúva do falecido Antigo Combatente Eliseu Camelo.
No momento das intervenções protocolares usaram da palavra, o representante da Comissão dos Antigos Combatentes do Concelho de Caminha, Antigo Combatente Manuel Amial, o Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora Luís Matias, o Capitão do Porto de Caminha capitão de fragata Fernando José Vieira Pereira, o Presidente da Assembleia Municipal de Caminha José Luís de Lima e a Presidente da Câmara Municipal de Caminha Liliana Silva.
O representante da Comissão dos Antigos Combatentes de Caminha, Manuel Amial, começou por “lembrar o saudoso Camarada Antigo Combatente Antero Sampaio, recentemente falecido e que desde o início ali cumpria exemplarmente a sua intervenção”.
Lembrou ainda o Antigo Combatente Luís Gomes Fernandes, neste ano em que perfaz 10 anos do seu falecimento e que foi um dos principais obreiros desta Comissão.
De seguida lembrou os oito Combatentes do Concelho de Caminha que perderam a vida na Guerra do Ultramar: 1 da Marinha: António Domingues Abreu, de Moledo, morto na Guiné em 1983); 6 do Exército: Adrião Fernandes Ferreira, de Arga de Cima, morto em Angola em 1965; António da Cunha Franco, de Vila Praia de Âncora, morto em Angola em 1971; António Tomás de Figueiredo Gomes, de Vila Praia de Âncora, morto em Moçambique em 1971; José Duarte Franco Verde, de Vila Praia de Âncora, morto na Guiné em 1969; Lino Pereira Franco, de Vila Praia de Âncora, morto em Moçambique em 1971; Mário Maciel da Rocha, de Vilar de Mouros, morto na Guiné em 1970; e 1 da Força Aérea António Maria Marques Quintela, de Vila Praia de Âncora, morto em Moçambique em 1967, lembrando também os Antigos Combatentes que faleceram neste último ano.
Referiu, também, que “os Antigos Combatentes representam uma geração que longe das suas Famílias conheceu a dureza da guerra, das minas, das armadilhas e das emboscadas, o peso da incerteza e o silêncio de memórias difíceis de explicar. Representam, também, valores que importa preservar: a camaradagem, a disciplina, o espírito de missão, a solidariedade e a capacidade de resistência perante as adversidades, valores caldeados durante a Comissão Militar”.
Um dos impulsionadores desta iniciativa, lembrou que “Hoje, quando vivemos tempos de novos desafios, importa recordar às gerações mais jovens que a liberdade, a paz e a democracia têm sempre um custo humano. Nada do que hoje consideramos garantido surgiu sem sacrifício. O Concelho de Caminha orgulha-se dos seus Antigos Combatentes. Muitos continuam a ser exemplos de dedicação às suas comunidades, participando ativamente na vida associativa, política e social das nossas freguesias. Outros, espalhados pelo mundo pelas várias Comunidades Portuguesas no Estrangeiro, honrando o seu País e a nossa Comunidade”.
Manuel Amial considerou importante também deixar uma palavra de reconhecimento às Famílias dos Antigos Combatentes, referindo: “Foram elas, a começar pelos nossos avós, pais e irmãos, que suportaram a ausência com profunda ansiedade e sofrimento. Por isso, relembrar e reconhecer as Famílias, muitas vezes esquecidas pela Pátria, é um gesto de enorme justiça e gratidão!”
Sobre a memória dos Antigos Combatentes disse que “não pode ficar limitada às cerimónias oficiais. Deve permanecer viva na consciência coletiva, nas escolas, nas associações e nas comunidades locais, para que nunca se esqueça o preço humano da guerra e o valor da paz”.
Sublinhou de seguida “a importância de continuarmos atentos às necessidades dos Antigos Combatentes, particularmente daqueles que enfrentam dificuldades de saúde, isolamento ou carências sociais, praticamente todos em idade avançada. Honrar quem serviu é também garantir que ninguém é esquecido!”
Sobre as promessas de apoio referiu que “não podemos, contudo, deixar de manifestar alguma preocupação e desilusão perante promessas de apoio que, ao longo dos anos, foram sendo anunciadas pelo Governo e Assembleia da República, mas que continuam por cumprir ou apenas cumpridas parcialmente, passados que são 52 anos do 25 de Abril, como bem recordou, recentemente, o Senhor Presidente da República na Comemoração do Dia Nacional do Combatente, na cidade da Batalha, no passado dia 9 de abril, dizendo textualmente: »A dignidade daqueles que serviram a Pátria não se compadece com adiamentos intermináveis e que esperam há demasiado tempo por respostas».
Especificando melhor, disse que “na verdade, muitos Antigos Combatentes continuam à espera de respostas mais eficazes nas áreas da saúde, do apoio social, dos transportes e do reconhecimento efectivo pelos sacrifícios que fizeram ao serviço do país, nomeadamente o acesso dos Antigos Combatentes aos Hospitais Militares, gratuitidade dos transportes públicos em todas as redes nacionais, atribuição de uma pensão mensal que substitua a esmola anual atribuída, a transladação para Portugal dos restos mortais de todos os antigos combatentes mortos nas então Províncias Ultramarinas e ali mantidos sepultados em condições indignas e a construção nos cemitérios locais de talhões para os Antigos Combatentes”.

Num gesto de gratidão, Manuel Amial “considerou de grande apreço a disponibilidade da Câmara Municipal de Caminha em oferecer a Bandeira Nacional para velar nos seus funerais.” Fundamentou de forma peremptória, ainda, que “Os Antigos Combatentes não pedem privilégios. Pedem respeito, dignidade e justiça. Pedem que a palavra dada seja honrada e que o reconhecimento tantas vezes proclamado em discursos, se traduza em medidas concretas que melhorem verdadeiramente a vida daqueles que serviram Portugal. É importante que o País não se lembre dos seus Antigos Combatentes apenas em datas comemorativas. O apoio deve existir todos os dias, de forma séria, contínua e humana. Esperamos que as palavras do Senhor Presidente da República mereçam a atenção devida!”.
Na sua intervenção relembrou a importância de celebrar o ‘Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas’ e não esqueceu aqueles que serviram Portugal em tempos difíceis.
“Recordamos hoje, com respeito e reconhecimento, os Combatentes do Ultramar. Homens jovens que, chamados pela Pátria, partiram para terras distantes em circunstâncias extremamente duras, enfrentando o medo, a incerteza e a saudade. Muitos nunca regressaram. Outros voltaram marcados física e emocionalmente para toda a vida. Independentemente das leituras políticas ou históricas que possam existir sobre esse período, há uma verdade que deve unir todos os portugueses, os combatentes cumpriram o dever que o país lhes pediu, lhes exigiu e os obrigou… A esses homens devemos respeito, memória e gratidão. Honramos os que tombaram em combate. Honramos os que regressaram em silêncio. Honramos as famílias que sofreram a ausência, a angústia e a perda.”
Luís Matias também não esqueceu o Antigo Combatente já falecido Antero Sampaio, afirmando que “hoje, esta cerimónia será também diferente das anteriores, todos viveremos um momento de sentida emoção pela ausência do saudoso amigo e companheiro combatente Antero Sampaio. Homem de coragem, dedicação e profundo sentido de missão, lutou incansavelmente para que os militares combatentes do Ultramar, os que sobreviveram, os que tombaram em campo de batalha e as suas famílias, nunca fossem esquecidos por Portugal. Foi voz dos antigos combatentes, defensor da memória, da dignidade e do reconhecimento devido àqueles que serviram a Pátria em tempos difíceis”.
O autarca sustentou que “A sua ausência é hoje sentida por todos nós, mas o seu exemplo permanecerá vivo na memória de todos e no coração daqueles que com ele partilharam a causa do respeito pelos combatentes portugueses”, concluindo a sua intervenção apelando a que “Portugal saiba honrar homens como Antero Sampaio, mantendo viva a memória do seu trabalho, do seu patriotismo e da sua dedicação aos outros. Que Portugal nunca esqueça os seus antigos combatentes. Porque um povo sem memória é um povo sem identidade.“
Seguidamente usou da palavra o Capitão do Porto de Caminha, capitão de fragata Fernando José Vieira Pereira que começou por referir: “Reunimo-nos hoje, neste dia maior de Portugal, junto a este monumento, para honrar a memória e o exemplo dos antigos combatentes. Evocamos homens e mulheres que, em momentos exigentes da nossa História, aceitaram servir Portugal com coragem, sentido de dever e espírito de sacrifício. Muitos partiram, alguns não regressaram, outros regressaram marcados para sempre. A todos devemos respeito, gratidão e reconhecimento.”
O Oficial da Marinha continuou dizendo que “Aqui, em Vila Praia de Âncora, esta homenagem ganha um significado ainda mais íntimo e profundo. Falamos de homens da nossa terra, rostos que pertencem à memória coletiva da comunidade – vizinhos, familiares, amigos – que deixaram este chão para servir Portugal longe de casa. Alguns ficaram para sempre em terras distantes; outros regressaram e continuaram entre nós, carregando consigo histórias que fazem parte da identidade desta vila”. Evocou que “A esses antigos combatentes de Vila Praia de Âncora, queremos hoje dizer, de forma clara e sentida: não foram esquecidos. O vosso legado vive na nossa comunidade, na nossa memória e no respeito que vos é devido. O mar que nos define, aqui na foz do Ancora e sob a influência do Minho, ensina-nos a enfrentar incertezas e a honrar compromissos – valores que também nortearam aqueles que serviram a Pátria em tempos difíceis. Hoje não celebramos a guerra. Celebramos a paz que ela nos impõe preservar, a liberdade que dela emergiu e a responsabilidade de transmitir às gerações futuras a importância da memória, da unidade e do serviço ao bem comum. Aos antigos combatentes presentes, deixo uma palavra sincera de profundo respeito. O vosso exemplo permanece vivo. Às famílias, que partilharam o peso da ausência e do sacrifício, o nosso reconhecimento.”
O Capitão do Porto de Caminha terminou para que “este dia de Portugal nos una no orgulho e nos recorde que a Nação se constrói com memória, coragem e compromisso”. Seguiu-se a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal José Luís de Lima que, referindo-se aos Antigos Combatentes, afirmou: “Hoje em Caminha, concretamente em Vila Praia de Âncora, celebramos também os homens que, em nome de Portugal, deixaram tudo para trás. Entre 1961 e 1974, mais de 800 mil portugueses foram mobilizados para Angola, Guiné e Moçambique. Eram filhos desta terra. Rapazes de Vilar de Mouros, de Lanhelas, de Seixas, de Vila Praia de Âncora. Tinham 20, 21 anos. A idade de começar a vida. Levaram na mochila três coisas: uma fotografia dobrada, uma carta da mãe e a esperança de voltar. Nem todos voltaram. Os que regressaram, trouxeram consigo cicatrizes. Algumas vêem-se. Outras, as mais fundas, só a alma conhece. Trouxeram noites que não acabam, e silêncios que pesam mais que qualquer arma”, acusando que “durante demasiado tempo, Portugal respondeu-lhes com outro silêncio. Um silêncio pesado, desconfortável, que não fez justiça ao vosso dever”.
Mais adiante referiu: “Vocês não escolheram a guerra. Ninguém escolhe. Mas cumpriram o que a Pátria vos pediu. Fizeram-no com coragem, com lealdade e com um sacrifício que poucos entendem. Viveram o medo de cada emboscada. Viveram a camaradagem que só nasce quando a vida depende do homem ao vosso lado. Viveram a saudade de Caminha, do cheiro do Rio Minho, das festas da vossa terra.” Considerou, também, que “Portugal tem convosco uma dívida que não se paga com medalhas. Embora elas sejam devidas e tardem. Paga-se com memória. Paga-se com respeito. Paga-se com apoio concreto, todos os dias. Paga-se garantindo que nenhum combatente fica sozinho no combate que muitos ainda travam hoje, o da saúde que falha, o da solidão que aperta, o da burocracia que esgota”.
José Luís Lima também não esqueceu as famílias dos Antigos Combatentes: “porque elas também foram combatentes. Travaram uma guerra diferente, mas igualmente dura. …. Esta homenagem é, por inteiro, também vossa”. Dirigindo-se aos jovens do Concelho de Caminha, o autarca deixou um outro apelo: “Jovens, olhem para estres homens. Muitos deles tinham exatamente a vossa idade quando partiram. Não escolheram a guerra, mas escolheram nunca falhar aos amigos que combatiam ao lado deles. Se hoje vocês estão aqui livres, se podem estudar, trabalhar, namorar, discutir o futuro sem medo, é porque alguém pagou um preço altíssimo no passado”.
O autarca terminou a sua intervenção destacando que “em meu nome e em nome da Assembleia Municipal de Caminha, digo-vos aquilo que devia ter sido dito há 50 anos, obrigado. Obrigado pelo dever cumprido. Obrigado por terem mantido Portugal inteiro quando tudo parecia desfazer-se. Que o vosso exemplo de serviço, de abnegação e de amor à Pátria nos inspire a servir melhor Portugal, hoje e sempre.”
A Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Liliana Silva, encerrou as intervenções. “É com enorme honra e profundo sentido de responsabilidade que hoje me dirijo a todos vós nesta data tão significativa. Hoje celebramos e honramos os Combatentes da Guerra do Ultramar. Portugal ainda não agradeceu o suficiente àqueles que combateram por Portugal e deram a vida pela Pátria. Faltam apoios, falta reconhecimento, falta perceber-se que os nossos combatentes não deixaram a guerra para trás. Ela acompanhou e acompanha-os em cada memória a cada dia da sua vida. O nosso País deve-lhes a honra patriótica. O nosso País e cada um de nós deve-lhes cada lágrima e sofrimento”. Liliana Silva afirmou “Estar certa que todos os Combatentes presentes nesta homenagem estão com o espírito, com o pensamento e com a alma focados nos camaradas de armas a apresentar os respeitos àqueles que não sobreviveram e a rezar para que descansem em paz. É o código de ética do combatente e humanidade: ninguém fica para trás e eu acrescento, nenhum jamais deverá ser esquecido, porque deram a sua vida pela Pátria. Choraram, sofreram, tiveram medo, tiveram que sobreviver e lutar porque assim se impunha. Os que cá ficaram guardam mágoas, memórias boas e más, traumas, mas guardam também um respeito absoluto pelos que partiram, e pelos seus companheiros que regressaram e que os une a memória do que viveram, os momentos difíceis que os tornou companheiros de armas e almas”.
E continuou: “Hoje, é por todos eles que aqui estamos, e deixem-me fazer uma saudação especial ao nosso recém falecido Antero Augusto Torres Sampaio. Uma voz que ecoava nos nossos ouvidos em cada homenagem no dia 10 de junho. Um testemunho que se perpetuará nas nossas memórias. Ele, todos os que já partiram, e os que aqui estão hoje são um exemplo de Honra. Se Luís de Camões, que hoje também celebramos, aqui estivesse, saberia que estava diante de bravos homens que andaram em «perigos e guerras esforçados» e bem poderia ter-se inspirado em cada um de vós – certamente, para escrever os seus versos lapidares: «aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da Morte libertando». Porque vocês, jamais serão esquecidos, não há morte que vos leve, porque ficam sempre guardados na história deste País, como celebra o nosso hino “Heróis do mar, nobre povo, nação valente, imortal”.
A presidente da Câmara Municipal de Caminha aproveitou este momento para “prestar uma palavra de gratidão e homenagem às viúvas, os filhos e os netos dos que morreram por Portugal e às esposas dos que ainda se encontram entre nós. Vocês foram as heroínas anónimas. Vocês continuam a ser as heroínas deste País. No silêncio de cada casa, de cada quarto, guardam convosco os traumas da guerra. Viveram a guerra no antes e no depois. A todas vocês o meu mais eterno reconhecimento.”
Mais adiante referiu: “Entre 1961 e 1974, milhares de jovens portugueses foram chamados a servir o país nos teatros de guerra de Angola, Guiné e Moçambique, muitos deles do concelho de Caminha. Muitos deles partiram das suas terras ainda muito jovens, deixando para trás os seus sonhos, as suas famílias e os seus projetos de vida. A Guerra do Ultramar marcou profundamente uma geração inteira. Deixou feridas, memórias difíceis e histórias de vida que continuam a merecer o respeito e a gratidão de todos nós. Hoje, independentemente das diferentes perspetivas históricas e políticas sobre esse conflito, é nosso dever honrar aqueles que serviram, recordar os que perderam a vida e reconhecer o sofrimento suportado pelas suas famílias”.
A memória dos antigos combatentes, nas palavras da autarca, “faz parte do património humano e histórico do nosso concelho e do nosso país. A todos eles, expressamos a nossa homenagem, a nossa gratidão e o nosso compromisso de preservar a sua memória para as gerações futuras. A vossa geração criou as condições para que Portugal seja hoje um País democrático, mais livre, mais solidário e mais aberto ao Mundo.”
Liliana Silva concluiu a sua intervenção, reiterando aos antigos Combatentes “o nosso respeito e aos que partiram, a nossa memória. Às suas famílias, a nossa gratidão.” A cerimónia encerrou com a deposição de uma coroa de flores no cemitério de Vila Praia de Âncora. Foi uma cerimónia justa, sentida e com grande dignidade e pendor patriótico que acolheu muitos Antigos Combatentes e suas Famílias e também várias Associações de Antigos Combatentes que quiseram prestar solidariedade para com os Antigos Combatentes do Concelho de Caminha, nomeadamente Associação de Fuzileiros, representada pela Associação de Fuzileiros do Minho, Liga dos Combatentes através do Núcleo da Liga dos Combatentes de Monção, MAC – Movimento de Antigos Combatentes, Associação de Comandos de Viana do Castelo, Associação de Combatentes de Barroselas e Núcleo dos Antigos Combatentes de São Bartolomeu do Mar-Esposende.




