
Salvaterra de Miño | A 38.ª ediçom do Festival da Poesia no Condado transforma Salvaterra de Minho, nos dias 4 e 5 de setembro, num grande palco transfronteiriço para a poesia, a música, a cultura popular e a intervençom social. Duas jornadas de programaçom que juntam regueifa, literatura, teatro, debates, desporto, tradiçom e propostas musicais de ambos os lados do Minho. A Sociedade Cultural e Desportiva Condado apresenta a programaçom completa da XXXVIII ediçom do Festival da Poesia no Condado, umha das principais referências culturais do calendário galego e um espaço histórico de encontro entre a criaçom artística e o compromisso social.
Durante os dias 4 e 5 de setembro, Salvaterra de Minho acolherá umha programaçom que reivindica a cultura como ferramenta de expressom, memória e transformaçom. Poesia, música, regueifa, teatro, cinema, pensamento crítico e cultura popular cruzam-se num festival que mantém umha forte dimensom galego-portuguesa e transfronteiriça.
A mocidade toma a palavra através da regueifa
A programaçom começa na sexta-feira, 4 de setembro, às 18:00 h, no Cenário da Casa do Conde, com o I Certame Nacional de Regueifa Jovem. Promovido polo Regueifa Tour e pola SCD do Condado, com o apoio da Regueifesta e da Asociación ORAL de Regueifa, o certame coloca a improvisaçom oral no centro da programaçom e aposta na transmissom desta tradiçom entre as novas geraçons.
As duplas participantes enfrentarám-se em duas fases: numha primeira etapa, através da construçom de coplas a partir de palavras-rima e temas propostos; numha segunda, em controvérsias diretas entre as parelhas. Participarám Estrela do Courel e Tegra de TraloCouto, Maré a Muda e Nântia, Miguel de Merza e Manuel Mella, Lúa de Compostela e Loaira das Chousas, Manuela Quinteiro e Tiziana, Celtia de Coristanco e Iago López, Alonso dos Celtas e David Fernández, e Xoel Maneiro e Roi Souto.
Às 20:10 h, serám entregues os prémios do II Certame Literário Juvenil Festival da Poesia no Condado, que distinguirá os jovens autores Breixo Suárez e Lucía Fernández, de Salzeda de Caselas. Às 20:30 h, Laura LaMontagne apresentará o seu concerto no palco da Casa do Conde.
Umha noite de música com a resistência no centro
O ato de apresentaçom da XXXVIII ediçom terá lugar às 21:30 h, no Cenário Principal, conduzido por Lara Soto que dará leitura ao limiar desta ediçom, escrito polo jornalista português Bruno Carvalho.
A música começará às 21:45 h com A Banda da Loba e o espetáculo Lovismo, umha proposta construída em torno do amor, da liberdade e da transformaçom.
Às 23:30 h, Loita Amada, o projeto de Jásper, levará ao festival umha combinaçom de cançom de protesta galega e novas sonoridades, numha proposta marcada pola resistência e pola memória. A noite terminará às 01:10 h com Rebeliom do Inframundo, referência do rap galego, num direto que cruza hip-hop, eletrónica, música tradicional e punk e mantém no centro umha forte crítica social.
Salvaterra de Minho transforma-se num grande espaço de cultura popular
A jornada de sábado, 5 de setembro, começará às 10:30 h, com a tradicional descida de embarcaçons polo rio Minho desde Monção. A partir das 11:00 h, a programaçom ocupará diferentes espaços da vila. No Torreiro, o Mercado de artesanato e coletivos estará acompanhado pola animaçom de rua de Ameaça de Bombo, que levará os ritmos das treboadas e dos folions ao espaço público.
Em Oleiros terá início o percurso do comboio chu-chu que percorrerá Salvaterra e Monção, mentres o Campo do Casal acolherá os primeiros encontros da Taça Gallaecia 2026 de Futebol Gaélico.
A programaçom popular continuará às 11:30 h, no Torreiro, com o Aberto de Bilharda, e às 12:00 h, com o III Aberto de Chave, na Praça da Fonte, em frente à Praça do Peixe. À mesma hora, a Casa da Cultura será palco da projeçom do documentário “Poesia no Condado”, dirigido por Irene Pin, que recupera a história do festival desde 1973 através de entrevistas, imagens e documentaçom de arquivo, dando voz a algumas das pessoas que fizeram parte deste percurso.
Em paralelo, a Casa do Conde receberá um Atelier de Regueifa, ministrado por Nuria Penas e Xairo de Herbón.
A manhá fechará com poesia e música: às 13:15 h, o primeiro Recital Poético do dia reunirá Antón Blanco Casás, Noelia Gómez e Fátima Dguez Silva. Às 13:45 h, a brass band feminina Brassica Rapa animará a sessom vermute.
Teatro, futebol gaélico e pensamento crítico durante a tarde
A programaçom da tarde terá início às 16:15 h, com a Final da Taça Gallaecia 2026 de Futebol Gaélico, no Campo do Casal. Às 17:00 h, a Casa da Cultura acolherá O transgredir das ondas, de Paula Carballeira, pola companhia Berrobambán. A peça cruza teatro documental e radiofónico para homenagear a jornalista Begonha Caamaño e abordar temas como a igualdade, a liberdade de expressom e a solidariedade internacionalista.
Às 18:15 h, o Cenário Casa do Conde receberá Clo Plas, projeto de Xiana Arias e Berio Molina que explora a oralidade da montanha de Lugo através da música experimental e do MIDI. O pensamento político terá um espaço próprio às 18:45 h, na Praça do Peixe, com a Mesa das Ideias, subordinada ao tema “Solidariedade e luta contra o imperialismo”. A conversa contará com Óscar Valadares, de Mar de Lumes, Marta Romero, da Plataforma Galiza pola Paz, e Ana Miranda, eurodeputada do BNG, com moderaçom da jornalista Charo Lopes.
Às 19:00 h, Masha Álvarez, Samuel L. París e Pablo Otero protagonizarám um novo Recital Poético na Casa do Conde. Em simultáneo, no jardim atrás da Igreja, a Inventi Teatro apresentará o espetáculo familiar A procura das Palavras Perdidas.
Às 19:30 h, Xisco Feijóo encerrará esta sequência da tarde com umha proposta que estabelece umha ponte entre a tradiçom e a contemporaneidade da música e da dança galegas.
Poesia para abrir a noite e música para fechar o festival
O momento central da 38.ª ediçom começará às 21:00 h, no Cenário Principal, com a apresentaçom da companheira Lara Soto. Seguirá o Recital Poético central, com a participaçom de Oriana Méndez, Iria Pinheiro Santos, Lorena Souto, Eugénio Outeiro Lojo e Igor Lugris.
A partir das 21:50 h, a música assumirá novamente o protagonismo com Mondra, que apresentará o espetáculo DE RONDA. Às 23:35 h, será a vez da banda portuguesa Kumpania Algazarra, com umha proposta marcada polos ritmos festivos e pola energia da música de rua. Às 01:20 h, Fidju Kitxora, da Guiné-Bissau, levará ao palco a sua proposta de afropunk.
O festival chegará ao fim às 02:40 h, com o DJ set de El Gadzé, fechando umha noite que, tal como todo o programa, atravessa fronteiras, linguagens e geografias. Com esta programaçom, o Festival da Poesia no Condado reafirma-se como um espaço de encontro entre criaçom e reivindicaçom, tradiçom e contemporaneidade, Galiza e a lusofonia. Umha ediçom que volta a colocar a poesia no centro, mas que entende a cultura como um território muito mais amplo: feito de música, memória, pensamento crítico, festa e participaçom coletiva.
Machirulos, nom sodes bem-vindos!
No Festival da Poesia no Condado queremos um espaço seguro, diverso e livre de machismo e LGTBIfobia, onde todas as pessoas possam desfrutar da cultura com liberdade e respeito. Durante o Festival haverá um Ponto Lilás de atençom, informaçom e acompanhamento perante possíveis situaçons de violência machista ou LGTBIfóbica.
Um festival construído coletivamente
A organizaçom quer fazer extensivo o seu agradecemento a todas as entidades colaboradoras e aos pequenos patrocinadores que tornam possível esta nova ediçom do Festival da Poesia no Condado, bem como às mais de 300 pessoas que contribuírom através do micromecenato na plataforma Goteo.
O apoio de todas elas demonstra, umha vez mais, que este festival é um projeto coletivo, sustentado pola vontade de milhares de pessoas de manter viva este projeto. A todas e todos, muito obrigado por fazerdes parte do Festival da Poesia no Condado.




