
Caminha/ Caminha2000| Ferraz Fernandes é o novo Comandante do Porto da Capitania de Caminha e da Polícia Marítima, substituindo o também Capitão de Fragata Fernando Pereira nesse cargo, após três anos de comissão em Caminha. A cerimónia de transmissão de funções teve lugar na passada Quarta-feira num edifício emblemático para a Marinha portuguesa – o Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora, albergando atualmente o “Espaço de Memórias do Mar”, construído e gerido pela Câmara de Caminha.
Uma curiosidade que deixa os caminhenses de orgulho, é o facto de Fernando Pereira ser natural de Vila Praia de Âncora, e o seu camarada substituto Ferraz Fernandes ser um caminhense nascido na sede do concelho que deixou de frequentar com assiduidade há 27 anos, quando ingressou na Armada.
Se Fernando Pereira foi o primeiro Comandante de Capitania natural deste concelho a exercer estas funções, Ferraz Fernandes assumirá a continuidade caminhense neste posto.

Na manhã desse dia, no salão nobre dos Paços do Concelho, na presença da vereação, foi entregue a Fernando Pereira a mais alta condecoração concelhia, a medalha de mérito municipal, grau ouro, pelo seu desempenho ao serviço do município e da sua população, nomeadamente a ribeirinha, distinção que acontece pela primeira vez. “O contra-almirante Fernando Manuel Vaz, Sub-diretor-geral da Autoridade Marítima e 2º Comandante da Polícia Marítima, presente na cerimónia de tomada de posse, vincou a relevância de “um concelho cuja identidade está ligada ao mar e ao Rio Minho”, competindo a esta unidade militar garantir “a segurança e vigilância das populações”, nomeadamente das comunidades mais ligadas a estes espaços. Falou em “renovação e confiança em quem assume novas responsabilidades” e na continuidade do fortalecimento de uma instituição que “serve Portugal e no reconhecimento por quem agora termina um ciclo e que deixa marcas na organização”. Assumiu que a ação da Capitania caminhense “ultrapassa a sua área estritamente marítima” devido à sua localização, incluindo a “articulação entre duas regiões e os nossos dois países”. A fiscalização conjunta entre os dois países e a articulação legislativa foram deveras salientadas pelo Contra-almirante Fernando Manuel Vaz, destacando “o combate à pesca furtiva e a condução das operações de busca e salvamento” levadas a cabo pelo Comandante cessante, não esquecendo a melhoria das infraestruturas marítimas, em colaboração com a Câmara de Caminha, apontando como exemplo a nova estação salva-vidas e dragagem ao redor do pontão de atracagem na foz do Rio Minho.
Estas especificidades do trabalho dos responsáveis por esta Capitania, mereceram igualmente relevância quando abordou o papel do novo Comandante, voltando a referir a “cooperação internacional”, a ligação estreita às “comunidades marítimas”, em consonância com as estruturas locais existentes deixadas pelo seu predecessor.
A crescente exigência da proteção dos recursos naturais, a utilização dos espaços marítimo-fluviais, “o combate às atividades ilícitas, em particular ao narcotráfico por via marítima”, foram mensagens dirigidas ao Capitão de Fragata Ferraz Fernandes, referindo ainda a importância da “permanente responsabilidade de garantir a segurança da vida das pessoas, da navegação e das atividades económicas desenvolvidas nesta região”.
Após desejar as melhores venturas ao novo Comandante da Capitania e da Polícia Marítima, dirigiu-se ao pessoal militar e civil a prestar serviço em Caminha, essenciais ao cumprimento de funções desta unidade da Armada.
Terminou a enumerar as “mais de 1.700 ações de fiscalização, milhares de patrulhas, acompanhamento das atividades marítimas e fluviais, mais de 3.000 vistorias e coordenação de dezenas de ações de salvamento” executadas nos últimos três anos, considerando-as a prova da “qualidade do trabalho desenvolvido” nestes três anos, apelando “ao mesmo espírito de equipa, exigência e compromisso com o serviço”.
Nesta cerimónia – em que marcaram presença alguns antigos comandantes da Capitania de Caminha, como foi o caso do Capitão de Mar e Guerra Gonzalez dos Paços, recém-nomeado Chefe do Departamento Marítimo e Comandante Regional da Polícia Marítima do Norte e de Pedro Costa, Capitão de Fragata, Adjunto do Comandante do Porto do Douro -, o novo Comandante João Ferraz Fernandes expressou “a sua simpatia pela solidariedade institucional” manifestada nesta cerimónia.
Referiu-se ao alargado “leque de competências” que o Comandante da Capitania possui e à vastidão da área que se encontra sob a sua jurisdição, mostrando-se disposto a “corresponder” aos anseios de uma “população tradicionalmente voltada para o mar”. “Animado pela alma de marinheiro de quem tem feito do mar o seu modo de vida”, Ferraz Fernandes garante plena colaboração institucional e abertura com todos, em articulação com as populações e o Estado. Acredita na formação de uma “equipa coesa” disposta a “fazer frente” aos desafios que certamente surgirão.
Agradeceu ao seu antecessor a “forma empenhada” como o familiarizou com a realidade da nova estrutura que vai comandar e elogiou a “obra feita” nestes últimos três anos, desejando-lhe felicidades. Exultou com a forma como toda a sua família o encorajou ao assumir as diferentes apostas na sua carreira militar e terem concordado “com este desejo de voltar a casa após 27 anos de ter saído de Caminha”.
No final deste ato, o C@2000 teve oportunidade de ouvir depoimentos de intervenientes locais, começando desde logo pelo novo Comandante, a quem lhe pedimos uma apreciação ao facto de a Capitania ter dois comandantes do concelho seguidos, considerando ser importante que esta unidade da Marinha “tenha gente que conheça os locais”.
Contudo, a par de ser uma “oportunidade” o exercício deste cargo, é “também um desafio”, devido à parte “institucional e pessoal” que envolve, reconheceu.
Questionado sobre a sua nomeação para a Capitania da sua terra natal, João Ferraz Fernandes revelou que cada comissão na Marinha é de três anos e a cada ciclo “mudamos de cargos”, e tendo “surgido a oportunidade de Caminha, não hesitei”. A sua perspetiva é a de “dar seguimento ao trabalho dos meus antecessores, em colaboração com todas as entidades”, nomeadamente todos os municípios e, “acima de tudo, salvaguardar a vida humana”. Acredita que conhece bem a região, mas “neste momento há grandes desafios em Caminha, mas ainda não é oportunidade de dizer quais são os desafios em concreto, mas dar continuidade ao que o meu antecessor iniciou, designadamente a estação salva-vidas”, considerando-a o “maior desafio”.
Fernando Pereira, na hora da despedida, confirmou-nos que tinha sido um ato com emoção (“particularmente exigente”), estando desde já “a sentir alguma nostalgia ao largar este comando e a passar o testemunho destes três cargos que acumulei nestes três anos”.
“Saio com o pleno sentimento do dever cumprido, mas acima de tudo com gratidão por todas as pessoas com que me cruzei durante estes três anos e que facilitaram as minhas funções”.
Perguntando-lhe se um homem da terra nestas funções era um bom suporte no seu exercício, admitiu que sim, “embora tenhamos sempre o receio de exercer principalmente funções da Autoridade Marítima na terra que me viu crescer”.
Mas, prosseguiu, “entre prós e contras, o balanço que faço desta, comissão é que correu bem”.
Disse ao C@200 que não houve qualquer área mais difícil do que outras, mas, sim, “em alguns períodos mais exigentes, como o de acumular funções com Viana do Castelo e os naufrágios que infelizmente assolaram a nossa área de jurisdição”, reforçando que “as operações de busca e salvamento são aquelas que exigem um bocadinho mais do Capitão do Porto”.
Fernando Pereira vai ser colocado no porto de Leixões, como adjunto do Comandante, assessorando o Chefe de Departamento Marítimo que acumula funções com o do Douro, por coincidência com Gonzaléz dos Paços, igualmente Comandante em Caminha há cerca de 10 anos.
Liliana Silva, presidente do Executivo caminhense, começando por avaliar o desempenho do seu conterrâneo Fernando Pereira nestes 10 meses de desempenho como presidente do Município, disse-nos ter sido “testemunha do seu grande profissionalismo, sentido de estado, de missão e de elevada responsabilidade”.
Vincou que Fernando Vieira Pereira tinha sido uma pessoa “excecional e do seu sentido de cooperação”, em referência a “momentos muito complexos que passamos, desde naufrágios, afogamentos, barcos a dar à costa e a decisão de decidir a questão da estação salva-vidas”.
Apontou ainda a importância da Capitania junto da APA em referência ao desassoreamento junto ao pontão de atraque, insistindo na importância do “Fernando” através da “forma diplomata como ele consegue lidar com todos os assuntos.
“Obviamente que sim”, completou Liliana Silva quando lhe perguntamos se iria ter saudades de Fernando Pereira, aproveitando para lhe prestar a “minha homenagem quando vai para outros mares, com muita pena nossa”, mas adiantou desde logo que “estou certa de que o novo capitão fará um excelente serviço”.
Neste ambiente ligado ao mar, a Associação de Pescadores de Vila Praia de Âncora marcou presença. Carlos Sampaio, seu presidente, indicou que estes três anos do “Fernando foram de excelência – que não quer dizer que os anteriores comandantes também não tenham feito um trabalho excelente – mas, sendo da terra, havia uma proximidade que tornou tudo mais fácil”.
Garantiu que este seu sucesso, “dependeu muito dele conhecer o território e havia uma vontade que ele continuasse”, sendo prova disso a atribuição de uma medalha da parte da Câmara, pormenorizou. Carlos Sampaio entendeu que o contributo das associações de pescadores foi decisivo para o sucesso da sua comissão, tendo havido um “respeito institucional”.
Perguntando-lhe se, neste caso, os santos da casa fazem milagres, Carlos Sampaio repisou, “isto de ele conhecer o território e as pessoas, parecendo que não, torna tudo mais fácil, desde que haja respeito civil e militar”, acreditando que o mesmo sucederá com o novo Comandante, “um homem da terra e que conhecerá o território, o que lhe facilitará a vida”. Repisou, “as relações interpessoais são importantes”.




