Identidade.

Há poucos meses escuitava a proposta de Rufian para liderar um movimento de esquerdas de nacionalistas, soberanistas, etc., que aglutinasse todas as sensibilidades de este sector, tanto estatais como soberanistas (eu, como os gais antigos que se titulam maricons de toda a vida, também sou independentista de toda a vida, por muitas modificações semânticas que se utilizem de nacionalistas, soberanistas, etc.). Se a proposta partisse de um esquerdoso centralista até me podia parecer normal ainda que inasumivel. Mas partindo de um nacionalista, destacado e respeitado dentro de seu partido nacionalista a proposta parece totalmente descabelada, a não ser que renunciara a seu nacionalismo.

O centralismo não é generoso. O centralismo é dominante e sempre tratará de pôr seus interesses e, desde logo, sua língua por diante. Numa eventual coligação com a esquerda espanhola (ja não digamos com a direita) íamos topar com muitas contradições que não se resolveriam nunca ao nosso favor. O estamos a ver. Igualmente o vem os vascos e catalães. O espanholismo não tem lealdades; claramente o vimos na aventura frente populista de Beiras, que confiou e foi traído por uma comunista centralista, ainda que de nascimento galego; se não fora por essa circunstancia de falta de lealdade poderia comtemplar-se uma união das esquerdas que respeitasse a identidade de cada uma das forças coligadas, mas o espanholismo nunca consentiria a nossa identidade em cultura, economia, preeminência de idioma nem governança.

“O centralismo não é generoso. O centralismo é dominante e sempre tratará de pôr seus interesses e, desde logo, sua língua por diante”

Em ERC, que é um partido nacionalista histórico e sério catalão, sabem perfeitamente de esta circunstância e também por experiencia conhecem como na aliança do nacionalismo com o centralismo sempre o mais beneficiado é o centralista. Tanto é assim que rejeitaram já de entrada a proposta de seu porta-voz no Congresso, Sr. Rufian. Por que agora aceitam ir unidos com Podemos? porque Podemos é a parte mais débil e porque se presta para prejudicar a um partido catalão, de esquerdas e centralista, os Comuns, que pode roubar votos a ERC. Pola minha parte desqualifico no eido da ética tanto a atitude de ERC como a de Podemos que, em definitiva, só conseguiria uma pequena ajuda em Madrid por parte dos catalães para tratar de conservar um escano no Congresso na próxima legislatura.

O voto que interessa a Galiza e aos galegos nas próximas eleições é o identitário, o da esquerda nacionalista, pois interessa que Galiza no Parlamento espanhol fique representada por si mesma, defendendo o interesse de Galiza, e não a traves dos representantes do PP ou do PSOE nem Frente. Amplo nem Podemos que defendem os deles.

Quinta do limoeiro, out. 26.

Advogado. Ourense - Vigo - Porto

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