O Padre Américo, criador da “Casa do Gaiato” en Paço de Sousa.

Paralelamente cria no Porto o «Lar do Gaiato». No mesmo ámbito e sob o lema «Cada freguesia cuide dos seus pobres» é o projeto de construção das primeiras casas do «Património dos Pobres», também em Paço de Sousa, em fevereiro de 1951. A sua «Obra da Rua» está consagrada à sublime figura de Jesus e o seu «ex-libris» é o «Quim Mau», o garoto de braços abertos que pede o amor do próximo. O Padre Américo, como comprovamos, preocupou-se desde o início da sua carreira, em garantir melhores condições de vida aos mais desfavorecidos, num ato de solidariedade humana exemplar e modélico. A sua «Casa do Gaiato» fundada em 1940, é uma instituição educativa e social que aínda hoje se dedica a recolher crianças sem família ou de famílias carenciadas. Merece ser visitada, e para os galegos não é difícil, pois está próxima à cidade do Porto, tendo que colher uns quilómetros antes da grande cidade portuense a estrada que vai para Penafiel.

No ano 1941, a dia 1 de janeiro, abre na rua da Trindade de Coimbra o «Lar do ex-pupilo das Tutorias e dos Reformatórios», instituição que será entregue aos Serviços Jurisdicionais de Menores em 1950.

PUBLICAÇÕES E OUTRAS ATIVIDADES :
Em junho do mesmo ano de 1941 publica o primeiro volume do Pão dos Pobres, e em 1942, a sua Obra da Rua. A 5 de março de 1944 aparece o primeiro número do jornal O Gaiato, quinzenário da «Obra da Rua», do que é fundador e diretor, e segue a publicar-se a dia de hoje (24 números ao ano). É este o meio mais eficaz de dar a conhecer a sua obra, os seus ensinamentos e os seus propósitos, servindo também para angariar fundos investidos na sua causa. No mesmo, o estilo de escrita é direto e esclarecedor, fazendo sempre referência à pobreza e miséria dos muitos que ajudava e pretendia ajudar pelo país fora.
A 4 de janeiro de 1948 seria inaugurada a «Casa do Gaiato» de Lisboa, situada na quinta da Mitra, em Santo Antão do Tojal, em Loures. Em 1950 sae ao público o opúsculo Do Gaiato. No ano de 1951 lançou a ideia que denominou «Património dos Pobres», com o objetivo de promover, junto de outras freguesias e de todas as paróquias, a ajuda aos mais pobres de cada região. A sua área de ação, embora se tenha estendido a várias zonas do país, foi principalmente o Porto, cidade onde acabaria por falecer, com quase 69 anos de idade. Em 1952 faz uma viagem a África e publica o livro O Barredo, ao que se seguem, em 1954, Ovo de Colombo e Viagens, no ano em que toma posse da quinta da Torre, em Beire, freguesia de Paredes, para a instalação de uma «Casa do Gaiato» e de uma denominada «Casa do Calvário», uma outra instituição esta criada para o abrigo de doentes incuráveis e abandonados pelas famílias, que sob a orientação dos seus seguidores começou a funcionar em 1957. E aínda, a 1 de julho de 1955, abriu a «Casa do Gaiato» de Setúbal, no lugar de Algeruz.

A sua luita contra a pobreza e a exclusão social, aínda não desapareceu com ele. Por ser uma grande pessoa, por levar à prática o evangelho cristã, por criar numerosas instituições a favor dos mais carenciados e necessitados, foram várias as pessoas que realizaram teses de doutoramento sobre a sua vida e obra, e publicaram monografias sobre a sua figura. Graças ao seu excelente labor aínda é hoje o dia que funcionam e têm vida as instituições criadas por ele e seus seguidores, que a seguir se resenham: Casas do Gaiato em Paço de Sousa-Porto, Miranda do Corvo-Coimbra, Setúbal (a 8 quilómetros da cidade), de Malanje e de Benguela em Angola, de Maputo em Moçambique, o Calvário da Casa do Gaiato de Beire a 15 quilómetros de Paço de Sousa, o Património dos Pobres na Casa do Gaiato de Setúbal, e Escolas-Oficinas, de carpintaria, serralharia e tipografia na Casa do Gaiato de Paço de Sousa, e de tipografia na de Setúbal.

O seu processo de glorificação canónica, certamente bem merecido, foi iniciado em 1986. O Padre Américo pode ser perfeitamente comparado na sua obra benéfica com Dom Bosco, o Padre Flanagan (criador da «Boy´s Town» em Omaha-Nebraska-EUA), o Padre Jesus Silva (criador da «Bemposta-Cidade dos Rapazes», em Ourense-Galiza) ou Maria Montessori (criadora em Roma da «Casa dei Bambini»).

Santiniketon (Bengala-Índia), a 18 de Novembro de 2017.

Prof. Reformado da Universidade de Vigo, Presidente da Asociación Socio-Pedagóxica Galaico-Portuguesa (ASPGP) e Académico da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).

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