Outros Tempos!

Por muito que eu pense, hoje não sai nada …
A inspiração para um tema a escolher, escapa-me. O dia também não ajuda muito. Estou num café, na marginal de Vila Praia de Âncora.

Tomei o meu habitual café e apenas me distraio com a bonita paisagem, num mar irrequieto a deixar-se beijar por um azul celeste do céu. A leve aragem, fresca, não aconselha que as pessoas procurem a esplanada. Aqui dentro, no bem bom acolhedor onde se refugiam alguns pares de namorados que trocam olhares cúmplices, fazem-me sorrir pela felicidade em que acreditam. Um casal entradote na idade, lê juntamente o jornal.

Caras que antes por aqui se viam, por ventura amedrontados por esse maldito vírus, nem vê-las. Até nisso os nossos hábitos se alteraram. Os contactos são fortuitos e novas amizades, agora são difíceis de se fazer perante esse distanciamento social que nos é sugerido.

“O medo tomou conta das pessoas, resignadas que estão perante um futuro incerto que a todos espera. Já nada será como antes”

O medo tomou conta das pessoas, resignadas que estão perante um futuro incerto que a todos espera. Já nada será como antes e, entretanto, muitos de nós provavelmente sucumbirão, enquanto outros, já débeis, piorarão de seus males.

Confesso ter saudades de uma boa e tranquila conversa e raramente me fascino por algo novo. Não sei se por indiferença, temor ou outra razão que no momento não me ocorre.

Foram-se os momentos de humor, cenas caricatas que nos faziam sorrir e hoje recordo com uma réstea de bonomia, medos que se tiveram das loucuras de quem sabe que não endireita o mundo mas insiste teimosamente em lutar para que ele se transforme num lugar melhor frequentado. Nas suas diferenças, na tolerância, na pluralidade de ideias, no direito à segurança em tempos incertos que se adivinham cada vez mais perigosos…

Não demos por ele, mas estávamos num paraíso, sem recearmos perigos maiores. Porque estamos em Portugal – melhor ainda na província, sem arreliadoras filas de trânsito, neste Alto Minho de paisagens e mulheres que não precisam de se pintar para serem bonitas, do nosso folclore, no humor das cantigas ao desafio, na nossa gastronomia, na terra onde se chamam os bois pelos nomes e, por isso, a franqueza ameniza alguns ‘maus fígados’.

“Não demos por ele, mas estávamos num paraíso, sem recearmos perigos maiores”

Há tardes assim! Dá-nos para o sentimento. A tranquilidade do local a isso convoca e o pessoal que nos atende sabe cativar pela simplicidade e simpatia.

Os dias enevoados e tontos são apenas quando nós deixamos que sejam…

Director / Editor de Minho Digital.

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