Normativa ortográfica.

Neste principio de ano não é ocioso lembrer as propostas ortográficas, também morfológicas, para um emprego correto do galego; Vem a conto da sent. 02.02’25Em 02.10.25 do TSXG negativa sobre a admissão do galego lusista em escritos dirigidos á Administração pública galega.

A sentença responde a um recurso contencioso-administrativo interposto pola “Fundación Ernesto Guerra Da Cal” contra a negativa de Xunta a tramitar e inscrever a documentação anual, obrigatória, com grafia lusista ou portuguesa; é dizer, com a grafia que utilizo neste e o resto dos artigos por mim publicados em revistas livros e jornais.

Parece coerente que esta Fundação, tributo de reconhecimento a uma figura tanto desconhecida como universal, que passou parte da sua vida no exilio em Nova York, desde onde contribuiu a difundir e projetar a cultura e literatura galegas internacionalmente, que manteve um firme compromisso político e ortográfico defendendo a unidade da língua galego-portuguesa e o mundo da lusofonia, continue no uso e defensa de aqueles princípios; incoerente seria a dita Fundação se empregasse em seus escritos a norma RAG ou Xunta; e intransigente quem se negara a admitir os escrito da Fundação na norma defendida polo titular, figura excepcional da nossa cultura. Pois bem, a intransigência deu-se, o desprecio e falta de retribuição a tanto destacado personagem, ocorreu, pola absoluta falta de sensibilidade da Xunta ou tal vez ignorância. E colocarem á Fundação no dilema de apresentar o informe anual na norma politicamente imposta e contraria á sua própria filosofia ou interpor um recurso de duvidoso resultado ante o TSX O Tribunal, na sua sentença, reconhece a existência do conflito ortográfico, que considera legitimo, mas igualmente considera que deve resolver-se em outro cenário pois a justiça só aplica a lei que, neste caso, é a de Normalização Linguística que determina que a norma oficial aplicável corresponde ao critério de autoridade da RAG. E já sabemos qual é seu critério.

O TSX sempre admitiu meus escritos num reintegrado brando que excluía os dígrafos, mas utilizava o “m” final e incluso a “ç” e o “v”. Também o Tribunal ditou alguma sentença em reintegrado e quando vim rejeitado pola ortografia um dos meus escritos solicitei do Presidente da RAG, daquela Gª Sabell, opinião, que me deu por escrito validando meu texto por responder a uma das variedades do galego admitidas. Daquela o movimento reintegracionista deveu transmitir á sociedade a importância da unidade idiomática na sua grafia.

Mas as associações reintegracioistas perderem o tempo em discussões filológicas ou acadêmicas convertendo-se em redutos intelectuais sem transcender nem á política nem ao povo. Polo que segue a ser necessário divulgar a importância do achegamento á norma internacional do galego-português-brasileiro, como único caminho da salvação do galego no mundo a que pertence, o mundo da lusofonia, ou velo convertido num “patois” do castelhano, com pai rejeitado e mãe que o despreza. A proposta não é nova, já Xoan Vicente Viqueira é considerado o primeiro reintegracionista depois do 1.900, importantes vultos seguirem a luta polo achegamento ortográfico do galego português.

“Não parece difícil compreender que o galego, fortemente erosionado polo castelhano, como idioma isolado tem um futuro bastante incerto”

Não parece difícil compreender que o galego, fortemente erosionado polo castelhano, como idioma isolado tem um futuro bastante incerto, sem base histórica nem filológica, que favorece as pretensões extintivas do centralismo, deixa sem contido a RAG e estéril a luta no nacionalismo (BNG) por a normalização do uso do galego. Para pensar.

Advogado. Ourense - Vigo - Porto

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