AECT Rio Minho: “O atrasso da ligação portuguesa do AVE com Espanha é um tempo sem retorno”

O seu diretor Rui Teixeira participou no 'Foro Ave Madrid - Ourense'
O ‘Foro Ave Madrid – Ourense: Un caminho a Galicia: desafios e oportunidades’ foi realizado na Expourense.

Alto Minho | O Diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho e Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Rui Teixeira, foi o único orador português convidado a abordar a “incontestável” importância da ligação ferroviária entre Portugal e Espanha, partilhando a experiência do território transfronteiriço Norte de Portugal-Galiza, no ‘Foro Ave Madrid – Ourense: Un caminho a Galicia: desafios e oportunidades’, realizado, esta sexta feira, na Expourense. Este primeiro encontro, que contou com a presença de várias entidades governamentais espanholas, assinalou os primeiros dias da alta velocidade entre Madrid e Ourense.

Com o Presidente da Xunta de Galicia, Alberto Núnez Feijóo, o ex Ministro do Fomento, José Blanco López, e a Vice-presidente do Congresso dos Deputados e ex Ministra do Fomento, Ana Pastor Julián, na plateia, Rui Teixeira, na qualidade de Diretor do AECT Rio Minho, começou por elogiar o trabalho de “grande desenvolvimento” e “virado para o futuro” da Galiza, com uma forte aposta nas grandes vias de comunicação. Salientando, “é por isso que estradas, portos e ferrovias foram prioridades desta grande região. Estar a celebrar a viagem entre Ourense e Madrid, com conforto e segurança, em pouco mais de 2h é celebrar o presente e garantir o futuro comum”.

A participar como orador do painel ‘Un camiño por completar: as etapas pendentes’, Rui Teixeira considera ser “incompreensível que algumas etapas de ferrovia ainda estejam pendentes em 2022. As ligações entre Portugal e Espanha, mais concretamente entre Portugal e a Galiza, são vitais e nunca suficientes. A alta velocidade é importantíssima para atrair turismo, garantir competitividade da economia e melhorar decisivamente a qualidade de vida e a mobilidade dos cidadãos”.

O também autarca de Vila Nova de Cerveira fez um enquadramento da posição do Governo de Portugal nesta matéria, lembrando que tem sido “adiada sucessivamente a necessidade de regionalizar o país, o que desembocou numa macrocefalia asfixiante. E estas macrocefalia culmina na ausência de investimentos fora da capital, por exemplo no quase eterno adiamento das linhas de alta velocidade”.

No entanto, e referindo-se aos dois últimos anos, Rui Teixeira explicou que, devido à liderança e trabalho “persistente e entusiasta” do Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, a modernização da ferrovia e a necessidade de investir em linhas de alta velocidade foi recolocada nas prioridades do discurso político. “Há um plano concreto de investimento, que está aprovado e que consiste na ligação ferroviária de alta velocidade entre o Norte de Portugal e a Galiza, planeada no Programa Nacional de Investimento 2030, com a construção da 1ª fase da linha de alta velocidade entre o Porto e Vigo (…) passando-se de uma viagem de 2h20 atuais para cerca de 1h”.

Considerando a ligação Porto-Vigo como “a ligação internacional mais importante entre Portugal e Espanha, em termos de volume de tráfego, superando mesmo a ligação Lisboa-Madrid”, Rui Teixeira acredita que Portugal “tem de entender o vosso trabalho aqui na ferrovia e na alta velocidade como uma última oportunidade. Não se pode ser uma espécie de jangada de pedra”.

E rematou: “Todo o tempo que se venha a perder no sentido de não ligar a ferrovia portuguesa em alta velocidade à rede espanhola é um tempo sem retorno. Este é um tempo decisivo”.

De recordar que, no passado dia 21 de dezembro de 2021, o primeiro comboio de alta velocidade (AVE) entre Madrid e a comunidade autónoma da Galiza, Espanha, deu entrada na estação de A Gudiña, em Ourense. Uma viagem inaugural que contou com a presença do rei de Espanha, Filipe VI, e do Presidente do Governo espanhol, Pedro Sanchéz, e realizada em apenas 2h15.

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